terça-feira, 8 de setembro de 2015

Tolerância ao risco versus capacidade em assumir risco

        A alocação de ativos é a forma com que os investimentos são distribuídos em diversas classes de ativos entre renda fixa, renda variável e imóveis ( não necessariamente todos) com pesos estabelecidos cujo objetivo é diminuir o risco total desses investimentos pois cada um reage de maneira diferente face a volatividade do mercado.
         Lidar com o risco é uma questão individual e a abordagem tradicional de tolerância ao risco consiste em determinar através de questionário padrão o perfil do investidor, se é agressivo, moderado ou conservador e a partir daí então, oferecer investimentos consistentes com o resultado.
         Um problema com esta abordagem é que ela pode indicar investimentos desconectados da realidade dos objetivos da pessoa. Às vezes, o investimento será mais agressivo do que ele precisa ser para alcançar um dado objetivo. Por outro lado uma pessoa conservadora pode aceitar um investimento conservador que vai deixá-lo afastada de seu objetivo.
        Para evitar tais incompatibilidades, então, a abordagem da tolerância ao risco deve ser aplicada para as metas em si, e determinar se o objetivo e o investimento necessários para alcançá-las é consistente com a tolerância de risco do investidor. Se o risco do objetivo é muito alto, a solução não está em encontrar um investimento para atingir a meta, mas encontrar uma nova meta que seja menos arriscada para atingir e que a pessoa possa tolerar.
         Há uma distinção entre tolerância ao risco e a capacidade que uma pessoa tem em assumir risco. Tolerância ao risco é o desejo psicológico de aceitar a possibilidade de um resultado menos favorável, em busca de um resultado melhor. Algumas pessoas estão dispostas a tomar prejuízos razoáveis, se há o potencial de lucrar muito. Essa atitude é a medida clássica de uma alta tolerância ao risco. Já em relação a outras pessoas, as atitudes frente ao risco são mais conservadoras; elas preferem ter pequenos ganhos, para evitar o perigo de sofrer um prejuízo. Assim, aqueles com uma maior tolerância para o risco geralmente estão dispostos a assumir investimentos mais arriscados, enquanto aqueles que são avessos ao risco preferem carteiras mais conservadoras e entre esses dois extremos há uma grande variedade de situações.
         A capacidade de uma pessoa em assumir riscos está ligada em alcançar suas metas se ocorre um resultado desfavorável no investimento. Em outras palavras, independentemente de como a pessoa se sentem sobre o risco, se prejuízos acontecerem, como fica o objetivo? ainda é viável ou será abandonado?
         Tomemos um exemplo de duas pessoas avessas ao risco: Pedro está com 35 anos e tem planos de se aposentar aos 65 anos. Seu objetivo nessa época é gerar R$ 30.000,00/ano ajustados à inflação da época. Essa renda de seus investimentos complementará seu benefício da Previdência Social. Para isso ele fará investimentos ao longo dos de 30 anos para atingir um patrimônio equivalente a R$2.000.000,00 que gere essa renda. Nesse contexto, Pedro tem atualmente uma capacidade elevada para o risco; se há um retorno baixo de seus investimentos, ele ainda tem tempo para fazer contribuições futuras que permitam que o patrimônio se recupere antes que ele precise se apoiar nele para alcançar o seu objetivo. Esta taxa de retirada de 1,5 % ajustada à inflação é uma proposta bastante viável.
         Contrastando como exemplo anterior, Raul é um aposentado de 65 anos que tem ativos no valor de R$1.000.000,00 que precisam gerar R$ 50.000,00 /ano para apoiar a sua aposentadoria. Esta taxa de retirada de 5,0% ajustada à inflação é uma proposta bastante delicada, e um declínio significativo nos retornos dos investimentos poderia aumentar rapidamente a taxa de retirada, depreciando em termos reais o patrimônio. Neste contexto, Raul tem uma baixa capacidade em assumir riscos; se há retornos abaixo do esperado, ele não será capaz de recuperar o patrimônio e seus objetivos serão arruinados.
Em resumo nas situações acima a capacidade de risco é bem distinta da tolerância ao risco. Não é o quanto de risco essas pessoas poderiam psicologicamente suportar em seus ativos, é apenas o quanto de risco nos seus ativos poderiam tolerar e ainda atingir as metas originais.


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